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Bikes ganharam lugar especial na reforma deste apartamento assinado

Entre os motivos que o paulistano Takuji Nakashima cita ao contar por que topou se mudar de um apartamento onde estava confortavelmente instalado para este imóvel, na época precário e carecendo de reformas, despontam referências que fazem sentido sobretudo para especialistas. Como um gourmet diante de uma despensa repleta de ingredientes finos ou um enólogo na melhor das caves, o arquiteto se rendeu às qualidades do ótimo projeto. “Já conhecia o prédio e apreciava sua concepção racional, modular, o desenho limpo. Quando soube que havia uma unidade disponível, fui ver. As condições se encaixaram, tomei uma decisão rápida”, revela, sobre o processo iniciado em 2012.

O que havia ali de tão especial? Trata-se do Edifício Gemini, erguido em 1969/70 pela construtora Formaespaço – famosa pelo interesse em viabilizar a boa arquitetura – e com a assinatura do renomado Eduardo de Almeida. Já na época, os blocos de dez andares com estrutura de concreto aparente, paredes de tijolinho eesquadrias metálicas do piso ao teto foram reconhecidos: o trabalho venceu a categoria Habitação Coletiva – Obra Construída na premiação anual do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) em 1974.

Se os atributos da planta generosa para dois dormitórios permaneciam inalterados décadas depois, com a passagem do tempo os 87 m² clamavam por renovação. As redes elétrica, hidráulica e de gás precisavam de reparos, certos acabamentos pareciam envelhecidos. O proprietário não fugiu à sina autoimposta e traçou para a futura morada um projeto de sua autoria. Substituiu os materiais necessários, integrou parcialmente um dos quartos à sala (já que vive sozinho), transformou um trecho das dependências de serviço em closet…

Para gerenciar a obra, contratou um amigo, também arquiteto, e assim transcorreram os três meses e meio de visitas até Moema, na zona sul paulistana. No final, tudo arrumado, Takuji se mudou e tratou de descobrir o bairro. “Não tinha predileção pelas redondezas, muito pelo contrário. Mas fui me adaptando e agora gosto da região. Para mim, o mais importante é me sentir bem dentro de casa e saber que ela condiz com a proposta do todo, do edifício”, avalia. Ciente de que tamanho apreço a uma construção – ou à arquitetura em geral – poderia parecer estranho, ele refuta. “Que nada! Tempos atrás, outros moradores foram procurar o próprio Eduardo de Almeida para ele ajudar a desenhar caixilhos que substituíssem os originais, velhos e de aço, sem prejuízo no desenho. Não sou o único.”
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